Domingo, Julho 20, 2008

Top 5 momentos revolucionários de "Cavaleiro das Trevas"

Desde que os super-heróis tomaram as telas, certos filmes se destacam criando novos paradigmas para um gênero já consagrado do cinema internacional. Se Richard Donner nos fez acreditar que um homem poderia voar em 1978, Brian Singer e Sam Raimi materializaram os impossíveis e impressionantes super-poderes em plena realidade, Christopher Nolan nos provou que existe muito mais do que a "capa e a espada" nas filmagens de histórias em quadrinhos. Com os pés calcados nas melhores novelas gráficas, Nolan criou um Batman sombrio, realista e livre de uma cenografia caricatural. Seguem agora 5 pontos que revolucionarão o gênero dos heróis no cinema depois da estréia de "Cavaleiro das Trevas":

5) Finalmente um roteiro não infantilizado: Nada de cenas óbvias em que os cidadãos em perigo aguardam ansiosamente o resgate nas mãos do destemido herói mascarado. Em "Cavaleiro das Trevas", temos diversas situações apresentadas como peças de um elaborado esquema em dominó. Uma derrubando a outra e criando novos e complexos problemas que não podem ser resolvidos por um único sobrevôo ou o desarmar de uma bomba nos últimos segundos. Como uma peça de cinema ímpar, o filme mistura gêneros como policial e gangster ao drama característico dos quadrinhos chegando a fazer inveja em filmes como o recente "Os Infiltrados".

4) Um Batman que questiona seu papel em Gotham: Ele não é um herói. Ele é o que Gotham precisa que ele seja, e essa linha é cada vez mais sombria. Agindo como uma espécie de "quinto poder", o Batman interfere politicamente em todas as esferas do poder de Gotham, papel que poderia muito bem caber a Bruce Wayne (por seu estupendo poder aquisitivo), mas que por integridade e por segurança dos entes queridos, acaba se mantendo "alienado" dos perigos de uma cidade tomada por criminosos "bem reais". Durante todo o filme questionamos se o Batman influenciou positiva ou negativamente os destinos de Gotham.

3) Nenhuma menção ao trauma de Bruce Wayne: Nada de flashbacks infantis, nada de criança chorando a morte dos pais, nada de foto sobre a lareira. O super-explorado trauma do Batman é passado e não precisa ser revivido. Só isso já conta como momento revolucionário na trama de um herói. O passado é sempre o motor que os conduz, mas tomando isso como obviedade, Nolan assumiu o risco de não revisitar o trágico assassinato dos pais de Bruce. Sabemos que eles morreram, sabemos que isso marcou Bruce e criou o Batman e só isso basta.

2) Um Coringa sem passado e sem motivos: No começo ficamos assustados. Será que o novo Coringa irá mesmo nos contar sobre sua relação com o pai? Logo descobrimos que existem muitos truques por baixo das mangas roxas do "Palhaço do crime". Em "Cavaleiro das Trevas", o Coringa é uma criatura que não existe socialmente. Suas digitais são impossíveis de rastrear, suas motivações são puramente caóticas, em seu bolso temos apenas facas (armas que não podem ser rastreadas) e seu único motivo de existir é infligir a anarquia generalizada. É, ou não é, uma revolução?

1) A linha tênue entre o bem e o mal fica mais tênue: Quem é bom? Quem é mal? O Batman possui um certo conjunto incorruptível de valores. Valores que o impedem até mesmo de espionar toda a população de Gotham (mesmo sabendo que isso seria de grande ajuda no combate ao crime). Seria o Coringa totalmente insano ou seria a insanidade o único modo de viver liberto de uma sociedade corrupta? Matar um indivíduo gera uma reação, mas matar um individuo de certa posição (um prefeito, por exemplo), gera uma reação muito maior. "E por quê?", questiona o Coringa. Seremos todos nós podres? Será apenas Harvey Dent? Onde estão os limites entre o certo e o errado?

Deu pra perceber por que o "Cavaleiro das Trevas" mudará o mundo e os super-heróis para sempre? E eu nem gosto tanto do Batman, mas irei correndo assisti-lo de novo!

6 comentários:

Eduardo Otubo disse...

Excelentes pontos!

Posso clippar seu post no meu blog? Queria escrever algo sobre o filme, mas você já resumiu várias coisas que eu gostaria de escrever por aqui. :-)

[]'s

Sy disse...

Eu fiquei muito feliz por não encontrar um roteiro que não é infantil.
o batman é muito dark.
acho que o filme ficaria ainda mais "batmesco" se a Gotham fosse aquela do Tim Burton.

A Gotham desse filme está muito L.A.

Denis Pacheco disse...

Eu senti um clima mais "Chicago" em Gotham, por causa dos tuneis e do metrô elevado. naquela cena da perseguição ao Harvey Dent no camburão, eu juro q vi o Chicago County no pano de fundo! rs

A.001 disse...

Pontos magnificos que vc destacou, Batman revolucionou mesmo, eu vibrei com o curinga totalmente diabólico.

Guzz disse...

Só tem uma coisa que eu achei ruim nessa obra. O fato dela ser absolutamente insuperável. Nunca mais veremos um batman tão FODÁSTICO. Minha cabeça explodiu, e continua explodindo. O filme reverbera na mente cada vez mais e de uma forma diferente.

Lidiana de Moraes disse...

Esse tem tudo para ser o filme do ano.
Já tinha toda aquela mística em torno dele depois da morte do Heath, mas vivo ou morto o filme não perderia seu valor.
O roteiro é realmente muito bom, quase filosófico, algo que realmente não bate com a idéia de filminho de heróis blockbuster.
Vai dizer que não teve vários diálogos no filme que fizeram tu pensar: bah, esse ai eu vou ter que usar?!